O legado de uma voz incansável

Esta quarta-feira (13) marcou os 140 anos do nascimento de Fiódor Chaliapin, cantor de ópera russo de renome internacional.

Possuidor de uma voz grave, o grande cantor de ópera russo Fiódor Ivanovich Chaliapin nasceu em 13 de fevereiro de 1873, na cidade de Kazan, às margens do rio Volga. Embora nascido em uma família humilde, Chaliapin interessou-se por música desde a infância, época em que cantava no coro.

Sua carreira como cantor profissional foi iniciada em 1889 ao ser admitido no elenco de drama de Vladímir Serebriakov. Desde então, cantou em vários teatros provinciais e estudou a música até estrear como Mefistófeles na ópera Fausto, de Charles Gounod, no teatro Mariinski, em 1895.

Em 1896, Chaliapin foi convidado pelo famoso mecenas Savva Mamontov a atuar no teatro Ópera Privada de Moscou, onde criou uma galeria inteira de personagens brilhantes da ópera russa considerados clássicos até os dias de hoje. Entre eles estão Ivan, o Terrível na ópera A Moradora de Pskov, de Nikolai Rímski-Kórsakov (1896);  Dositeu na Khovanschina, de Modest Mussorgski (1897); Boris Godunov na ópera homônima de Modest Mussorgski (1898).

A partir de 1899, Chaliapin se tornou solista do Teatro Bolshoi, em Moscou, e do Teatro Mariinski, em São Petersburgo. Em 1901, fez uma turnê triunfal no Teatro La Scala, em Milão, e participou das temporadas de arte russa em Paris organizadas pelo famoso empresário russo Serguêi Diaghilev.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Chaliapin suspendeu suas turnês internacionais e abriu dois hospitais para soldados feridos com seu próprio dinheiro, além de doar grandes somas à caridade.

Em 1915, estreou como ator de cinema encarnando Ivan, o Terrível no filme homônimo baseado no romance A Moradora da cidade de Pskov, de Lev Mei.

Após a Revolução Socialista de Outubro de 1917, Fiódor Chaliapin se dedicou à reforma dos teatros russos, foi membro do Conselho de Administração dos teatros Bolshoi e Mariinski, onde dirigiu as atividades artísticas em 1918.

Em 1922, o cantor saiu em turnê pelo exterior e não voltou mais à União Soviética, estabelecendo residência fixa em Paris. Em agosto de 1927, o governo soviético tirou todos títulos honoríficos e condecorações concedidas por seus méritos, proibindo-o de retornar ao país.

O repertório de Chaliapin incluía 67 partes completamente diferentes, das quais 36 de óperas russas, e cerca de 400 canções. Também encenou as óperas Khovanschina e Dom Quixote, e publicou os livros Páginas de Minha Vida (1917) e A Máscara e a Alma (1932).

Entre 1935 e 1936, o cantor realizou uma turnê pela Manchúria, China, e Japão, num total de 57 concertos. Na primavera de 1937, Chaliapin foi diagnosticado com leucemia e, meses depois, faleceu em Paris.

Seus restos mortais, enterrados no cemitério parisiense de Batignolles, foram levados para Moscou e sepultados no cemitério de Novodévichi em 1984. 



Publicado originalmente pela Ria Nóvosti 

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