Empresários negam que crise diplomática afete negócios

Interessados no fim da crise, empresários de Moscou mantêm negócios com a Turquia.

Interessados no fim da crise, empresários de Moscou mantêm negócios com a Turquia.

Ria Nôvosti/Konstantin Tchalabov
Para manter parcerias, russos e turcos se afastam de questões políticas. Relações entre Moscou e Ancara estão estremecidas desde o incidente com o bombardeiro russo Su-24.

Embora o incidente com o bombardeiro russo Su-24 tenha deteriorado as relações entre Moscou e Ancara, empresários de ambos os países demonstram que não pretendem deixar que a crise política e diplomática afete seus negócios internacionais.

O empresário turco Murat, que pediu para que ele e sua empresa não fossem identificados, levanta a bandeira de que o conflito atual não tem efeito sobre as relações com parceiros russos.

“Os nossos antigos parceiros não só apoiam a cooperação, como há novas empresas do país interessadas em projetos conjuntos”, conta em um fórum de negócios realizado na Rússia.

O diretor de marketing e logística da Imex, Mikhail Ivanov, também acredita que a maioria dos empresários russos tenham interesse no fim da crise com a Turquia e garante que sua empresa não vai recusar cooperação com empresas turcas.

“Continuamos a trabalhar com eles e digo mais: a nossa empresa pretende abrir na semana que vem o seu primeiro escritório de representação na Turquia”, diz.

As notícias sobre inspeções minuciosas nos aeroportos e rigoroso controle de passaporte têm, porém, causado alerta. Entre elas, o relato de que 39 empresários em visita à exposição agrícola Iugagro, em Krasnodar, foram detidos, em 26 de novembro, por violar as leis de imigração.

“Vínhamos para outro fórum, mas meu chefe decidiu que não havia necessidade de passar por desconfortos desnecessários. Por isso, achou melhor me enviar”, diz o russo Igor Iarmolenko, que há mais de 2 anos que trabalha em uma empresa de construção em Izmir, na Turquia.

Iarmolenko afirma não sentir qualquer alteração na atitude dos turcos em relação a ele, mas confessa ter “receio de que as coisas possam mudar”.

“Agora a Rússia está trazendo à tona as ligações do [presidente turco Recep Tayyip] Erdogan e sua família com o Estado Islâmico. Isso não vai passar batido pelos seguidores de Erdogan. Por enquanto, não há na Turquia essa histeria que vejo na Rússia, mas isso pode mudar a qualquer momento. Se eu sentir que existe algum perigo, claro que serei obrigado a deixar a Turquia.”

Choque político

Depois de derrubar um avião militar russo na fronteira com a Síria, em 24 de novembro, as autoridades turcas lamentaram o incidente alegando violação de espaço aéreo.

Moscou, em resposta, acusou Ancara de apoio ao Estado Islâmico (EI) e adotou uma série de medidas contra o país. Um decreto assinado pelo presidente russo Vladímir Pútin assinou estabelece sanções a determinados produtos turcos e, a partir de 1º de janeiro de 2016, a abolição do regime de isenção de vistos para entrar no país.

A embaixada da Turquia em Moscou declarou na semana passada que Ancara não vai instituir contramedidas ou cancelar o regime de isenção de vistos para os cidadãos russos.

 

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