Rússia banida das Paralimpíadas: como, quando e por quê?

Esgrimistas paralímpicos russos estão entre afetados por decisão do CPI

Esgrimistas paralímpicos russos estão entre afetados por decisão do CPI

Kirill Kallinikov/RIA Nôvosti
As respostas para todas as perguntas sobre a desclassificação da equipe russa.

O que aconteceu?

Neste domingo (7), o chefe do Comitê Paralímpico Internacional (CPI), sir Philip Craven, anunciou que o Comitê Paralímpico Russo havia sido suspenso e os atletas russos estariam, portanto, proibidos de competir em eventos internacionais.  Isso significa que cerca de 270 atletas russos estão automaticamente excluídos dos Jogos Paralímpicos no Rio, que serão realizados entre 7 e 18 de setembro.

Qual é o motivo da proibição?

Craven acusou as autoridades russas de criar um sistema estatal para encobrir violações de doping. A posição do presidente do CPI se baseia no relatório de uma comissão independente da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês). Segundo o relatório do órgão, entre outras coisas, havia sido realizada a troca de testes de 27 atletas nos Jogos Paraolímpicos de 2014, em Sôtchi.

O relatório documento confirma, assim, as declarações polemicas feitas pelo ex-diretor do laboratório antidoping em Moscou, Grigôri Ródtchenkov, que em uma entrevista ao “The New York Times”, em maio passado, revelou a existência de um sistema patrocinado pelo Estado russo para ocular testes de doping positivos.

Nos Jogos Paralímpicos de Sôtchi, o país garantiu o primeiro lugar no quadro-geral de medalhas, com 13 de ouro, 11 de prata e 9 de bronze.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu contra a proibição de toda a seleção olímpica russa. Por que o CPI tomou uma posição diferente?

O Comitê Olímpico Internacional e o Comitê Paralímpico Internacional são duas organizações independentes, que podem adotar decisões diferentes. O COI decidiu não aplicar o princípio da responsabilidade coletiva (o presidente do órgão, Thomas Bach, descreveu uma proibição geral da Rússia como uma ‘opção nuclear’) e delegou a decisão final às federações internacionais competentes.

O CPI, por sua vez, concluiu que as violações cometidas pela Rússia são tão graves que uma proibição total seria a sanção mais adequada. Apesar da decisão drástica, Philip Craven lamentou que os atletas russos limpos acabassem sendo, segundo ele, “catastroficamente lesados” pelo governo russo.

A posição diferente entre as duas organizações também pode ser atribuída à diferença em suas estruturas organizacionais. Os esportes paraolímpicos tem uma estrutura mais centralizada que permite ao CPI tomar decisões em nome das federações. Já o COI, como uma associação mais frouxa, tem menos poderes e deve ter em conta as posições das federações, das quais muitas se opunham à proibição geral.

Se a preocupação foi levantada em relação aos Jogos de Sôtchi (Inverno), por que os atletas que atuariam nos Jogos de Verão serão penalizados?

As acusações do CPI preocupação não apontam para atletas individuais, mas para as autoridades russas. “Essa situação não é sobre atletas que violando o sistema, mas sobre um sistema estatal que está enganando os atletas”, disse Craven a jornalista no domingo.

Além disso, o CPI não desqualificou atletas individuais, e sim suspendeu todo o Comitê Paralímpico Russo, proibindo temporariamente que atletas russos compitam em eventos internacionais. O primeiro desses eventos será os Jogos Paralímpicos no Rio. Se a proibição não for suspensa em breve, poderá também comprometer atletas que atuarão nos próximos Jogos de Inverno.

Quais são as chances de a Rússia reverter a decisão em tribunal?

De acordo com o presidente do Comitê Paralímpico Russo, Vladímir Lukin, a Rússia vai apresentar, no prazo de 21 dias, um recurso junto ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), na Suíça, contra a decisão do CPI.

Nos dias que antecederam os Jogos Olímpicos do Rio, o CAS levantou proibições anteriores de vários atletas russos, incluindo da nadadora Iúlia Efímova, o que dá esperanças aos atletas. No entanto, o CAS também rejeitou recursos interpostos por representantes do atletismo e halterofilistas russos, cujas federações haviam decidido pela exclusão.

Os atletas russos receberão assistência jurídica da Câmara Federal de Advogados da Rússia, cujo secretário, Konstantin Dobrínin, garante haver mecanismos legais para anular a decisão.

“Essa é uma violação flagrante da Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que proíbe qualquer forma de discriminação e, em seu artigo 5º, faz obriga que os Estados participantes, que são também membros do Comitê Paralímpico Internacional, garantam às pessoas com deficiência proteção jurídica eficaz contra discriminação por qualquer motivo”, disse o advogado à agência de notícias R-Sport.

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