Estrelas do esporte declaram apoio a russos na Rio-2016

Parte da delegação russa durante chegada ao aeroporto do Galeão, no RJ

Parte da delegação russa durante chegada ao aeroporto do Galeão, no RJ

EPA
Por causa do escândalo de doping, a equipe russa iniciará os Jogos Olímpicos no Rio com um peso sobre as costas. Ex-campeões olímpicos e mundiais dão à Gazeta Russa sua versão sobre os últimos acontecimentos e explicam por que, apesar de todos os problemas, ainda vale a pena torcer pelos atletas do país.

Andrêi Kirilenko, jogador de basquete, medalhista de bronze olímpico, campeão europeu e vencedor de vários prêmios individuais da NBA e da Liga Europeia.

É muito simples. Acredito que o nosso país tenha muitos atletas de elite que vale a pena seguir e apoiar. Eu, por exemplo, torcerei por nossa equipe, sobretudo tendo em conta as dificuldades superadas recentemente. Eu estarei torcendo por cada atleta. E espero que os nossos atletas olímpicos voltem para casa com muitas medalhas. 

Foto: Evguênia Novojenina/RIA NôvostiFoto: Evguênia Novojenina/RIA Nôvosti

Marat Sáfin, tenista, ex-número 1 do mundo, vencedor de dois torneios Grand Slam, recém-incluído no Hall da Fama do Tênis

Vou dar apoio a nossa equipe nacional como um patriota. Quanto ao motivos que levariam torcedores de outros países a fazerem o mesmo, não tenho o que dizer. Normalmente, as pessoas torcem tanto para atletas de seu próprio país como para grandes estrelas. E a seleção russa nos Jogos do Rio não terá superestrelas: Sharapova, Isinbaieva, Iefímova foram todas deixadas de fora.

Foto: Anton Denisov/RIA NôvostiFoto: Anton Denisov/RIA Nôvosti

Minha postura em relação ao escândalo de doping? Eu já disse mais de uma vez: não há razão alguma para procurar um inimigo externo nessa história. Precisamos mudar toda a estrutura do esporte: instruir treinadores infantis, oferecendo-lhes remuneração competitiva, desenvolver infraestruturas esportivas nas regiões do país, melhorar as condições de treinamento, ficar atentos à farmacologia... Um monte de coisa precisa ser mudada. Espero que todos os escândalos que vieram à tona antes do Rio nos ajudem a dar a devida atenção aos problemas acima.

Evguênia Medvédeva, patinadora artística, campeã mundial e europeia

Foto: Vladímir Pesnia/RIA NôvostiFoto: Vladímir Pesnia/RIA Nôvosti

Nossa equipe no Rio inclui as superestrelas do nado sincronizado Natália Íschenko e Svetlana Romáchina, a líder absoluta em ginástica rítmica Iana Kudriávtseva, a esgrimista Sofia Velíkaia, a ginasta Alia Mustáfina... Essas pessoas nunca usaram substâncias proibidas e tiveram uma centena de testes de doping negativos durante suas carreiras. Sem elas, os Jogos Olímpicos não seriam, tão emocionantes e atraentes.

É por isso que os espectadores só vão se beneficiar da decisão dos agentes esportivos de permitir que a nossa equipe compita no Rio. É uma pena que, por causa das proibições impostas pelas federações internacionais, os Jogos no Rio irão prosseguir sem [a nadadora] Iúlia Efímova, [a saltadora com vara] Elena Isinbaieva, e [o corredor] Serguêi Chubenkov. Eles passaram um longo período se preparando para esses Jogos e agora eles terão que vê-los pela TV.

Pável Buré, jogador de hóquei no gelo, medalhista de prata e bronze olímpico, vencedor dos troféus Calder e Maurice Richard, membro do Hall da Fama do NHL

Foto: Artiom Gueodakian/TASSFoto: Artiom Gueodakian/TASS

No Rio, a Rússia será representada exclusivamente por atletas limpos, que nunca foram flagrados em exames de doping e este ano passaram por testes rigorosos em laboratórios credenciados pela Wada [Agência Mundial Antidoping]. Nossa equipe nacional é definitivamente a mais transparente nesses jogos, por isso, os entusiastas da teoria de conspiração devem mudar o discurso e dar uma olhada nas estatísticas.

No último relatório da Wada em 2014, a Rússia ocupa o 53º lugar na classificação por casos de doping. Nossa porcentagem de testes positivos é de 0,9%; em comparação, o valor para os EUA é de 0,7%. Além disso, nenhum dos agentes esportivos russos afirmam que a Rússia não tem problemas com doping. Tem, e eles estão sendo tratados. Lembrem-se, em outros países atletas também usam substâncias proibidas.

Elena Isinbaieva, saltadora com vara, bicampeã olímpica, tricampeã mundial, detentora do recorde mundial (5,06 metros)

Foto: Mikhail Klimentiev/RIA NôvostiFoto: Mikhail Klimentiev/RIA Nôvosti

Nossa equipe sempre atua conforme as regras e se atém ao fair play em qualquer situação. Houve inúmeros casos em que os nossos atletas foram julgados injustamente, mas, mesmo nessas situações, não reclamamos, e sim continuamos a trabalhar com o dobro da energia e da determinação.

Peguemos, por exemplo, a história com [o ginasta] Aleksêi Nemov nas Olimpíadas de Atenas [em 2004]. O público vaiou durante 15 minutos em protesto contra a baixa pontuação que os juízes lhe deram, enquanto Aleksêi tentava acalmá-los. É por isso que sempre vale a pena torcer pelos atletas russos. Somos uma nação forte e não precisamos de doping.

Quanto à proibição dos atletas, trata-se de uma história espetaculosa. Infelizmente, as autoridades do COI [Comitê Olímpico Internacional] botam mais fé em um professor que foi suspenso de suas funções por de abuso de poder [em referência a Grigóri Ródtchenkov] do que nos campeões olímpicos e atletas de renome.

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