Após decisão do COI, russos começam a chegar ao Rio

Pútin não comparecerá à cerimônia de abertura dos Jogos no Rio

Pútin não comparecerá à cerimônia de abertura dos Jogos no Rio

AP
Enquanto Kremlin saudou decisão de condicionar atletas a respectivas federações, diversas autoridades russas voltaram a criticar ‘fator político’ em enredo do COI.

Depois de o Comitê Olímpico Internacional (COI) ter aprovado a participação da Rússia nos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, os primeiros representantes da delegação russa desembarcaram na cidade na noite de domingo (24). No total, 339 atletas do país competirão nos Jogos.

A iniciativa de liberar a participação de atletas russos ‘limpos’ na Rio-2016, tomada após reunião entre os dirigentes do COI,  delega, porém, a decisão final às federações internacionais responsáveis por cada esporte. Algumas federações, como as de tênis, vela, tiro com arco e ginástica já se manifestaram a favor da presença russa.

Apesar da confirmação de que os tenistas russos estarão liberadas para a Rio-2016, cabe lembrar que Maria Sharapova não estará entre os oito representantes do país no evento, já que foi suspensa por dois anos devido ao uso de substância proibida.

“Os atletas russos das 28 modalidades olímpicas precisam assumir as consequências da responsabilidade coletiva (do país) e a presunção de inocência não pode ser aplicada. Por outro lado, a justiça individual precisa ser aplicada, e todo atleta precisa poder provar que a responsabilidade coletiva não pode ser aplicada no seu caso”, lê-se no comunicado do COI.

Os representantes do atletismo russo, por sua vez, não disputarão os Jogos, uma vez que a proibição já havia sido definida pelo comitê internacional, após o escândalo de doping denunciado pela Agência Mundial Antidoping (Wada) vir à tona.

Reação do Kremlin

“Sem dúvida, saudamos a decisão [do COI] de permitir que os chamados atletas ‘limpos’ participem dos Jogos Olímpicos com base nas decisões tomadas pelas federações esportivas internacionais”, disse Peskov a jornalistas nesta segunda-feira (25) . “Acreditamos que foi uma decisão positiva”, acrescentou.

Peskov revelou também que o presidente russo Vladímir Pútin não tem planos de participar da cerimônia de abertura do evento e que não dispunha de informações sobre o interesse de Pútin em assistir a alguma prova específica.

Mais cedo, o membro da comissão russa no COI, Chamil Tarpíschev, já havia se pronunciado favoravelmente à resolução. “A decisão do COI é o ótima para nós. (...) Poderia ter sido melhor, mas essas explicações, nós mesmos pediremos”, declarou.

O Ministério dos Esportes russo também agradeceu pela decisão, segundo o chefe da pasta, Vitáli Mutkô. “Os critérios impostos para convocar a equipe nacional são muito rigorosos. Mas 80% dos nossos atletas atendem a esses critérios”, disse.

Depois de a CAS (Corte de Arbitragem do Esporte), em Lausanne, na Suíça, ter rejeitado a apelação e mantido a equipa inteira de atletismo russa de fora dos Jogos, havia pouca esperança entre os russos de que o COI pudesse permitir a presença do país no evento, uma vez que o próprio órgão teria afirmado em diversas ocasiões que sua decisão seria baseada no veredito do tribunal.

“Criou-se um precedente perigoso e, de agora em diante, o mundo dos esportes viverá segundo novas leis”, declarou então o Comitê Olímpico Russo (COR). 

Derrota prematura

Apesar da notícia positiva, os líderes das bancadas parlamentares assumiram uma posição mais crítica em relação ao COI. “Toda essa história tem sido desagradável e nojenta, mas, pelo menos, a decisão não foi de todo ruim”, disse o líder do Partido Comunista da Federação Russa, Guennádi Ziuganov.

Segundo o chefe do Partido Democrata-Liberal da Rússia, Vladímir Jirinôvski, mesmo com a decisão, a Rússia continuará sob julgamento para se garantir nos Jogos. “E, psicologicamente, reinará a ideia que a Rússia é levada com um focinho na boca.”

Até mesmo a iniciativa de delegar à sentença final às federações foi recebida com críticas por algumas autoridades em Moscou, por supostamente se tratar de uma ação tomada “devido à pressão política”, descreveu o deputado russo Pável Krachenínnikov.

“É claramente uma estratégia política. Todos esses argumentos foram levantados contra a Federação Russa de Atletismo, não há nenhuma queixa específica contra atletas, tudo é pura conspiração”, declarou a bicampeã olímpica Elena Isinbaieva, do salto com vara, cuja participação nestes Jogos seria a última de sua carreira.

No entanto, nem todos no país concordam com a versão de trama política. A Wada “nunca se apoiaria sobre alegações sem fundamento”, escreveu o vice-presidente da Federação Russa de Tênis, o campeão olímpico Evguêni Káfelnikov, em seu Twitter.

A Rússia tem agora a missão de conduzir uma reestruturação completa do sistema nacional antidoping, segundo prometeu o COR durante uma reunião no COI. “Mas essa tarefa será realizar em conjunto com o COI e com a Wada”, destacou Mutkô. “Afinal, o doping é um problema de todos.”

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