Rússia é alvo de nova polêmica às vésperas da Rio-2016

Atletas da atual equipe não serão punidos por erros de terceiros, diz membro russo no COI

Atletas da atual equipe não serão punidos por erros de terceiros, diz membro russo no COI

Aleksêi Malgavko/RIA Nôvosti
Relatório de comissão independente da Wada confirma existência de esquema com o Estado para esconder testes de doping positivos desde 2011. Apesar de denúncia, autoridades esportivas negaram exclusão do país dos Jogos Olímpicos no Rio.

O chefe da comissão independente da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês), Richard McLaren, declarou que, durante os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, em Sôtchi, os atletas russos usaram doping em grande escala e que os funcionários substituíam seus testes por amostras “limpas”. “Todas as amostras testadas continham vestígios de abertura”, disse McLaren, que, nesta segunda-feira (18), apresentou, em Toronto, os resultados de um relatório da Wada sobre o esquema de doping da Rússia nos Jogos de Sôtchi.

A Wada iniciou a investigação após a publicação de uma entrevista polêmica com o ex-oficial russo Grigôri Rodtchenkov, em maio, pelo The New York Times. Ao jornal norte-americano, o ex-chefe do Laboratório Antidoping de Moscou confessou que, durante os Jogos de Inverno de 2014, diversos atletas russos usavam doping sob a cobertura dos serviços especiais da Rússia.

O relatório da Wada, que reafirma o discurso de Rodtchenkov, também ressalta que a operação foi conduzida pelos serviços especiais russos. “O FSB [Serviço Federal de Segurança] levou os testes de doping em refrigeradores especiais para laboratório especial fora de Moscou que tinha sido construído antes dos Jogos Olímpicos. O FSB realizou operações secretas”, disse McLaren.

Segundo o representante da agência, o esquema operava desde 2011 e foi também usado no Campeonato Mundial de Atletismo em Moscou, em 2013, e no Mundial de Esportes Aquáticos em Kazan, em 2015.

Informação vazada

Um dia antes da divulgação do relatório da comissão independente da Wada, os veículos internacionais publicaram notícias sobre uma carta dirigida ao presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, assinada pelo chefe da Usada (da sigla em inglês, Agência Antidoping dos EUA), Travis Tygart, e outros nove diretores de comitês nacionais antidoping (Alemanha, Espanha, França, Noruega, Japão, Dinamarca, Nova Zelândia, Canadá e Suíça) e 20 associações atléticas.

A carta exorta o COI a proibir toda a equipe nacional russa de participar dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, se o relatório da Wada apresentasse provas de doping sistemático patrocinado pelo governo russo. “Não podemos nos cegar diante das evidências, e, se não nos prepararmos para todos os resultados possíveis, então não estamos cumprindo nossa promessa aos atletas limpos”, disse Tygart à Reuters.

O Comitê Olímpico Russo (COR) qualificou a postura da Usada como uma violação da Carta Olímpica e expressou a suposição de que os detalhes do relatório da Wada já fossem conhecidos pela agência norte-americana antes de sua divulgação oficial. O COR também pediu que o incidente seja revisto pelo Comitê de Ética do COI.

As federações internacionais de Ginástica, Natação, Lutas Associadas e Voleibol já manifestaram preocupação sobre a possível desqualificação de atletas russos dos Jogos no Rio.

Rio-2016: ir ou não?

O relatório de McLaren não tem qualquer relação formal com os Jogos Olímpicos e, segundo o próprio oficial, a Wada não repassará ao COI quaisquer recomendações sobre a participação da equipe russa nos Jogos Olímpicos. “Minha tarefa é investigar e apurar os fatos”, disse. “Não tenho recomendações, esta não é a minha tarefa.”

Segundo o COR, apenas o comitê executivo do COI, com a maioria dos votos, poderia proibir o país de atuar nas Olimpíadas. “Esta é apenas uma teoria, porque, na prática, ninguém na história da Olimpíada moderna e na existência da Carta Olímpica já foi submetido a este procedimento”, explicou Aleksandra Brilliantova, chefe do departamento jurídico do comitê russo, à agência TASS.

O membro russo no COI Vitáli Smirnov acredita que o órgão internacional não irá desqualificar a Rússia. “Para o COI, seria uma perda irreparável. Porque a unidade do movimento olímpico é maior do que qualquer coisa. É inaceitável punir um país inteiro por uma infração de natureza particular. Isso seria um erro terrível. Estou certo de que o COI não vai fazer isso. Trabalho nessa organização há 45 anos. Entendo o alinhamento de forças aqui. (...) Thomas Bach disse que a atual equipe olímpica russa não pode ser responsabilizada pelos representantes dos esportes de inverno, de outros esportes”, declarou Smirnov na Match TV.

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