Russos reagem aos ataques terroristas em Paris

Flores e mensagens de apoio foram deixadas na embaixada da França em Moscou

Flores e mensagens de apoio foram deixadas na embaixada da França em Moscou

TASS
Autoridades pediram novamente união de forças contra o terrorismo, e cidadãos mostraram solidariedade aos franceses em frente à embaixada em Moscou. Coalizão internacional será discutida em encontro sobre a Síria neste sábado (14).

O presidente russo Vladímir Pútin e o primeiro-ministro Dmítri Medvedev condenaram os atentados terroristas em Paris na sexta-feira (13). Os ataques, coordenados em diversos pontos da capital francesa, resultaram em pelo menos 127 mortes.

“A Rússia condena veemente esses assassinatos desumanos e está pronta para disponibilizar qualquer ajuda necessária nas investigações desses crimes de terrorismo”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmítri Peskov.

“Essa tragédia foi mais uma evidência da natureza bárbara do terrorismo que desafia a civilização humana”, escreveu o presidente russo Vladímir Pútin, no telegrama de condolências enviado a seu homólogo francês, François Hollande.

Já o premiê russo, Dmítri Medvedev, disse compartilhar da dor e do sofrimento do povo francês e sublinhou que “a tragédia de Paris exige de todos nós a união na luta contra o extremismo, para repelirmos com firmeza e força estes ataques terroristas”.

Os cidadãos russos também demonstraram solidariedade para com os franceses. Durante a noite de sexta, um grupo de pessoas se uniu junto à embaixada da França em Moscou. Com flores, velas, e notas com mensagens de apoio, a embaixada acordou neste sábado (14) com um memorial improvisado à sua porta.

O grupo fundamentalista Estado Islâmico (EI) alega ter sido o responsável pelos atentados em Paris em um comunicado, divulgado na manhã deste sábado.

O presidente francês François Hollande, que declarou estado de emergência no país, mostrou-se consternado em um discurso nesta manhã. “É um ato de guerra que foi cometido pelo Estado Islâmico contra os valores que defendemos”, disse.

Os Estados Unidos e o Reino Unido, tradicionais aliados da França, manifestaram repúdio aos ataques de sexta, e a presidente Dilma Rousseff se referiu ao episódio como “barbárie terrorista”, em sua conta no Twitter.

União antiterror

A necessidade de unir esforços para combater o terrorismo é uma ideia comum nas declarações de políticos russos em suas condolências aos franceses.

Para o presidente do comitê para Assuntos Internacionais do Conselho da Federação (Senado russo), Konstantin Kosatchov, “a vontade política da Rússia é disponibilizar à comunidade internacional a mais ampla cooperação possível na luta contra o terrorismo, sem quaisquer condições prévias”.

Por meio de sua conta no Facebook, Kosatchov descreveu os ataques em Paris como “um golpe monstruoso à nossa civilização europeia”, acrescentando que “todos os pensamentos e sentimentos estão agora lá, em Paris”.

O também senador e vice-presidente do Comitê de Defesa e Segurança do órgão, Franz Klintsevitch, disse que “a construção de uma coalizão antiterrorista ampliada” já será discutida durante a cúpula sobre a Síria em Viena, aberta neste sábado.

Sobre a reunião na capital austríaca, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakhárova, disse que os acontecimentos de Paris não têm como não influenciar a atmosfera e o decorrer dos trabalhos.

“Devemos fazer todo o possível para mostrar que estamos verdadeiramente solidários. A palavra-chave de hoje é solidariedade”, disse Zakhárova.

O apelo de união para combater o terrorismo, e especificamente o EI, foi também repetido pelo líder da Tchetchênia, Ramzan Kadirov. “É necessário cortar o mal na raiz. Voltamos a apelar aos líderes de países árabes e muçulmanos para unir esforços contra o Estado de Iblis [referindo-se ao Estado Islâmico”, escreveu no Instagram.

Segurança na Rússia

Os políticos russos apelaram ainda para um reforço da segurança no país, sobretudo após as recentes ameaças feitas pelo EI em um vídeo.

“Em meio ao que está acontecendo, é preciso reforçar ao máximo todas as medidas de segurança", disse o líder do Partido Comunista da Rússia, Guennádi Ziuganov, à agência Tass.

Medidas extraordinárias devem ser tomadas diante da ameaça de ataques terroristas, alertou também Boris Reznik, membro do Comitê de Segurança da Duma (câmara dos deputados na Rússia).

“Antes de tudo, deve-se mobilizar todas as forças de segurança. Todos nós devemos ficar vigilantes, precisamos ensinar às pessoas como atuar em locais públicos. Não pode haver descuidos no metrô, nos aeroportos, em locais particularmente perigosos”, disse o deputado à rádio Kommersant FM.

A proposta de introduzir medidas adicionais de segurança na Rússia poderá ser discutida já na segunda-feira (16), no Conselho da Federação, informou o senador Evguêni Serebrennikov.

 

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