Mesmo com crise, petrolíferas têm bons resultados

Analistas internacionais afirmam que preços das ações das petrolíferas russas estão relativamente baixos e recomendam sua compra.

Analistas internacionais afirmam que preços das ações das petrolíferas russas estão relativamente baixos e recomendam sua compra.

DPA/vostock-photo
Taxação reduzida em tempos difíceis contribui para sucesso russo. Analistas destacam a performance da Bashneft e o valor agregado de suas ações.

Maior exportadora de energia do mundo, a Rússia viu seu orçamento despencar com a queda dos preços das commodities energéticas. Apesar disso, as petrolíferas russas estão ultrapassando seus concorrentes em diversos indicadores, entre eles o de fluxo de caixa livre e o de rentabilidade.

Isso ocorre porque, em primeiro lugar, os impostos sobre as petrolíferas russas são maleáveis. Enquanto o Estado recebe grandes quantias em anos de preços elevados, quando esses caem, os lucros das empresas não são tão castigados.

Além disso, o rublo despencou junto com o preço do petróleo enquanto a Rússia entrava em recessão.

Assim, por um lado, o rublo barato elevou a inflação e encareceu muitos dos produtos importados. Por outro, isso fez com que os exportadores de petróleo recebessem mais rublos pela venda cotada em dólares.

“As petrolíferas russas têm tido os melhores desempenhos no setor energético global, superando produtores nos EUA, Europa e mercados emergentes”, lê-se em relatório de setembro dos analistas do banco de investimentos norte-americano Goldman Sachs.

Os analistas acrescentam ainda que os preços das ações das petrolíferas russas estão relativamente baixos e recomendam sua compra.

No primeiro trimestre de 2015, duas das maiores produtoras nacionais, a estatal Rosneft e a empresa de capital aberto Lukoil, tiveram altas significativas nos lucros, em comparação ao mesmo período no ano anterior.

Em critérios como fluxo de caixa e margens de lucro, a Rosneft e a Lukoil superaram a ExxonMobil, a BP e a Royal Dutch Shell.

Impostos e política

Mas as petrolíferas russas também enfrentam riscos políticos. Algumas, como a Rosneft, foram listadas entre as pessoas físicas e jurídicas sancionadas por EUA e países europeus devido à crise ucraniana.

Além disso, elas poderão sofrer pressão de políticos em busca de corrigir o deficit orçamentário, já que o orçamento de 2016 tem gerado intenso debate.

“Acreditamos que a manutenção dos baixos impostos pode tornar a crise superável às petrolíferas”, lê-se em relatório da consultoria moscovita Renaissance Capital.

Os analistas da consultoria estimam que a economia russa possa sofrer uma contração de 4% neste ano. Os principais motivos são as sanções e a queda dos preços do petróleo, cujos lucros compõem quase metade da receita estatal.

Em setembro, o primeiro-ministro russo, Dmítri Medvedev, já rejeitou pedidos de aumento do imposto sobre a commodity.

Mas seu gabinete diz que o governo está considerando mais lentamente que antes a redução das taxas de exportação, medida que poderia levar a um aumento da carga fiscal.

Bashneft

O relatório de setembro da Renassaince Capital apontou a Bashneft como destaque entre os produtores de petróleo cru russos.

“A Bashneft oferece uma combinação atraente de crescimento de volume e rendimento do dividendo (dividend yield) - com rendimento médio de 10% nos próximos cinco anos - baseada em ativos líquidos de prospecção e extração. Ela poderá gerar retornos e taxas de crescimento acima do setor, enquanto negocia em pé de igualdade com o resto do setor.”

Por outro lado, os analistas recomendam a venda de ações da maior empresa de capital aberto produtora de gás natural da Rússia, a Novatek. No relatório da Renassaince Capital lê-se que “a Novatek oferece pouco valor no macroambiente atual”.

 

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