Governo lança associação para reunir ex-alunos estrangeiros

Líderes de organização preveem a adesão de 1,5 milhão de membros

Líderes de organização preveem a adesão de 1,5 milhão de membros

Kommersant
Recém-criada, a Associação Internacional de ex-Estudantes Estrangeiros tentará integrar milhões de pessoas que se formaram nas universidades soviéticas e russas. A organização, embora sem estrutura bem definida, já tem missão certa: exercer influência social, cultural e política no exterior.

A nova associação foi apresentada oficialmente durante um fórum de ex-alunos estrangeiros na Universidade Russa da Amizade dos Povos (RUDN, na sigla em russo), em Moscou, na semana passada. Estiveram presentes no evento 300 formandos deste ano que frequentaram 40 instituições de ensino superior russas.

“Ainda em 2003, o presidente Vladímir Pútin havia declarado que precisávamos de um associação desse tipo”, disse Sangadji Tarbaiev, membro da Câmara Pública da Rússia e ex-capitão da seleção da RUDN. “Agora a organização foi finalmente registrada e está pronta para iniciar o seu trabalho, particularmente importante no atual cenário internacional.”

A organização é fruto de uma parceria da Agência Federal de Assuntos da CEI, Compatriotas no Exterior e Cooperação Internacional Humanitária (Rossotrudnitchestvo, na sigla em russo) com o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.

“Temos um milhão e meio de potenciais membros”, prevê Khatib Samir, presidente da nova associação em Israel. “Esse instrumento pode vir a ser uma das mais ativas associações do mundo, com objetivos sociais, culturais e, sobretudo, políticos.”

No primeiro semestre de 2014, os ministérios da Educação e Ciência e dos Negócios Estrangeiros, em conjunto com a Rossotrudnitchestvo, também enviaram ao governo uma proposta de aumentar a cota destinada a estrangeiros em universidades russas, de 15 mil para 20 mil vagas.

No documento, os funcionários de órgãos públicos justificaram a necessidade de “formar elites nacionais pró-Rússia”, que, após o término da universidade, poderiam “promover os interesses russos de maneira mais eficaz”.

Segunda pátria

De acordo com Vladímir Filippov, reitor da RUDN, a ideia de integração, apoiada pessoalmente pelo chanceler russo Serguêi Lavrov, traz uma vantagem competitiva pelo fato de os ex-estudantes conhecerem a fundo as organizações e personalidades russas. “Vocês conhecem o idioma e os costumes russos”, ressaltou Filippov, durante o fórum.

O diretor da Agência Federal para Assuntos da Juventude (Rosmolodioj, na sigla em russo), Serguêi Pospelov, sugeriu ainda que os ex-alunos estrangeiros recebam um estatuto oficial de compatriotas. A ideia foi elogiada por Tarbaiev, segundo o qual a associação tentará obter condições preferenciais significativas para os seus membros.

“Vale a pena refletir sobre a possibilidade de introduzir um procedimento simplificado para a formalização da autorização de residência ou até de conceder cidadania para os graduados pelas universidades russas”, acrescentou.

Estudantes de anos anteriores que hoje ocupam cargos elevados em empresas do país também estiveram presentes no evento e manifestaram apoio à iniciativa. “Agora todos somos patriotas”, declarou Gabriel Kochofa, embaixador da República do Benim na Rússia e na Comunidade dos Estados Independentes.

“É preciso educar os universitários de tal forma que, ao retornarem ao seu país, eles desenvolvam a relação com a Rússia, sejam leais à sua segunda pátria. Nós os consideramos parte do mundo russo”, concluiu o presidente da Associação de ex-Estudantes Estrangeiros da Rússia, Yao Adu Nicaise. “Levamos a cultura russa até o conhecimento de outros países, porque, no mundo, muitas vezes somos incompreendidos.”

Publicado originalmente pelo jornal Kommersant

 

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