Rublo fraco impulsiona fluxo de turistas asiáticos

Hotéis de alto padrão estão tirando benefício da queda do rublo

Hotéis de alto padrão estão tirando benefício da queda do rublo

Alamy/Legion Media
A situação geopolítica e as sanções ocidentais provocaram uma queda abrupta no número de viagens de negócios ao país. Por outro lado, a fragilidade da economia russa contribuiu para alavancar tanto o mercado de hotéis de luxo, como o de hospedagens de baixo custo.

Enquanto a desvalorização da moeda nacional aumentou o custo de viagens internacionais e obrigou a maioria dos russos a passar férias no próprio país, os visitantes estrangeiros, em sua grande maioria provenientes da Ásia, estão aproveitando o rublo barato para visitar a Rússia.

“Com a diminuição do número de viagens de negócios de estrangeiros à Rússia, os hotéis de Moscou estão se voltando hoje para grupos de turistas da China, da Coreia e da Índia”, diz David Jenkins, da consultoria Jones Lang LaSalle.

De acordo com o Departamento de Turismo de Primorski, no Extremo Oriente da Rússia, o número de turistas chineses que visitaram a capital da região, Vladivostok, aumentou 140% nos primeiros três meses de 2015 em relação ao mesmo período do ano passado.

A mudança de fluxo turístico e a intensa demanda de turistas chineses é confirmada pela maior operadora hoteleira internacional no país, a Carlson Rezidor, que administra 31 hotéis das marcas Radisson Blu e Park Inn by Radisson.

“Existe também um interesse considerável entre visitantes da Turquia e da Índia. Mas alguns dos nossos hotéis mantêm uma quantidade bem grande de turistas alemães”, diz Irina Zakharova, relações públicas da Carlson Rezidor.

Segundo a assessoria de imprensa do The Ritz-Carlton em Moscou, a procura entre turistas norte-americanos foi a que mais caiu. Paralelamente, o fluxo de turistas da China, da Índia, do Oriente Médio e da América Latina também vem apresentado um crescimento constante nos hotéis da rede na Rússia.

“Agora os turistas estão podendo se hospedar no Intercontinental, em vez do Holiday Inn, no Marriott, em vez do Courtyard, e assim por diante”, explica Jenkins.

A consultoria imobiliária Cushman & Wakefield registrou um aumento de 10% no lucro dos principais hotéis de luxo no país ao longo do primeiro trimestre deste ano.

Com o aumento das receitas, os hoteleiros estão investindo em novos hotéis no interior da Rússia, como os recém-inaugurados Hampton by Hilton e um Hilton Garden Inn, em Ufá.

Porém, segundo Marina Smirnova, sócia da Cushman & Wakefield, a demanda externa é relevante apenas para a taxa de ocupação em Moscou, São Petersburgo e Vladivostok. “Os 95% restantes são suportados pelo turismo interno”, aponta.

Oriente sobe, Ocidente desce

A mudança na clientela está se sendo sentida não apenas no segmento dos hotéis de luxo, mas também nos albergues.

Anna Borovikova, proprietária dos albergues Três Pinguins e Chocolate em Moscou, ambos na capital russa, estima que o número de hóspedes chineses tenha duplicado desde o ano passado.

No mesmo período, a frequência de visitantes alemães caiu quase 20%, e o número de noites reservadas por turistas franceses e norte-americanos diminui 25% e 30%, respectivamente.

Além dos turistas asiáticos, os russo também têm contribuído para aquecer o mercado de albergues no país. Os preços, em média 500 rublos (quase US$ 10) para se hospedar no centro de Moscou, são mais convidativas do que as hospedagens nos tradicionais destinos no exterior.

“Se dois ou três anos atrás cerca de metade dos hóspedes eram estrangeiros, hoje eles não são mais do que 10%”, diz Andrêi Melnikov, gerente do Columb Hostel em Moscou.

 

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