De floresta a polo industrial, o Extremo Oriente que brotou da guerra

Caça Su-7 superou em muitos aspectos os veículos de seu tempo Foto: Assessoria de imprensa da fábrica de Komsomolsk-no-Amur

Caça Su-7 superou em muitos aspectos os veículos de seu tempo Foto: Assessoria de imprensa da fábrica de Komsomolsk-no-Amur

Ameaças da Segunda Guerra estimularam desenvolvimento de regiões orientais do país. Sem infraestrutura urbana ou população expressiva, áreas ocupadas por taiga viram florescer um enorme complexo industrial que não só fortaleceu defesa da URSS, como colocou o país entre os maiores produtores no setor de aviação.

Na década de 1930, quando o processo de industrialização está a todo vapor, o Extremo Oriente russo permanecia deserto. Em uma área equivalente à Europa toda, havia menos de um milhão de habitantes. Do seu desenvolvimento econômico, nem se falava.

Não havia uma única unidade industrial na qual se pudesse apoiar a economia da vasta região ou qualquer infraestrutura militar. A triste experiência da guerra russo-nipônica, de 1904 e 1905, demonstrou que era impossível sair vencedor de um confronto armado junto das fronteiras orientais sem a existência de uma poderosa base industrial.

Foi justamente isso que motivou as autoridades soviéticas, preparando-se para a guerra contra a Alemanha e o Japão, a repensarem o modo de exploração do Extremo Oriente.

A ideia de fundar uma indústria supermoderna para construção de aviões na taiga, às margens do Amur, era vista como uma aventura. Ali não havia recursos humanos nem qualquer infraestrura de transportes ou energética.

Não era suficiente construir uma usina. Era preciso erguer do zero, e em poucos anos, uma cidade inteira, com prédios de moradia, comércio e hospitais. Na época, só a minoria étnica nanai habitava uma área de toda aquela região. Os iurtas tiveram que dar lugar às construções fabris.

A tarefa foi realizada em tempo recorde.

A decisão de construir uma usina na margem do rio Amur, no coração da futura cidade, foi tomada em janeiro de 1932. Meio ano depois, milhares de operários contratados e membros do Komsomol, jovens comunistas das regiões centrais da União Soviética mobilizados para trabalhos no Extremo Oriente, haviam chegado ao local.


Construção da fábrica ná decada de 1930 Foto: Assessoria de imprensa da fábrica de Komsomolsk-no-Amur

A nova cidade foi batizada de Komsomolsk em homenagem a essas pessoas envolvidas na construção da fábrica. Além deles, um grupo formado por presos, geralmente ignorados pela história, também contribuiu para o desenvolvimento da região.

Em 1934, já havia infraestrutura e condições para lançar as bases de uma das maiores usinas de aviões do país. E os primeiros aviões saíram de oficinas inacabadas logo dois anos depois. Mas foi preciso trabalhar em regime de trabalho bastante intenso.

A guerra que se aproximava exigia o rápido aumento da produção.

Os primeiros a ser produzidos foram os aviões leves de reconhecimento R-6, projetados pelo construtor Túpolev, que viria a ser famoso. No entanto, a marca registrada dos engenheiros do Extremo Oriente foi outro veículo – o DB-3, um dos primeiros bombardeiros soviéticos de longo alcance, projetados no gabinete de Iliuchin.

Esse avião ganhou fama ainda antes do começo da Segunda Guerra Mundial. Graças a esse modelo, os pilotos soviéticos bateram recordes mundiais, realizando voos sem escala de Moscou ao Extremo Oriente russo e à América do Norte.

O DB-3 se tornou uma das máquinas voadoras mais temidas. Foram eles que, na noite de 8 de agosto de 1941, executaram o primeiro bombardeio maciço sobre Berlim, enquanto os destacamentos terrestres soviéticos recuavam em todas as frentes.

Komsomolsk foi um dos poucos centros de fabricação desse avião, que ficou conhecido como Il-4 depois de ser modernizado.

Durante a guerra, foram enviados para o fronte quase 2.800 unidades do DB-3. Porém, foi no pós-guerra que a usina atingiu o seu pleno florescimento: a floresta cerrada se transformou em um grande centro de produção de aviões de combate modernos.

Mas os operários tinham outro desafio pela frente.

Para continuar produzindo veículos com a mais avançada tecnologia, era necessário assimilar a técnica de produção de aviões a jato. Nenhuma das usinas soviéticas possuía tal experiência.

A função pressuponha a reconstrução de toda cadeia de produção, no contexto de aguda escassez de recursos e crescente deterioração das relações entre a URSS e o Ocidente, que conduziria à Guerra Fria pouco tempo depois. Mas os problemas foram superados.

Em 1949, a fábrica deu origem ao primeiro caça a jato soviético – o Mig-15.

A partir dos anos 1950, o destino da fábrica de Komsomolsk ficou ligado para sempre ao escritório de design da Sukhôi.

O caça Su-7 marcou muitos pontos em comparação aos veículos de seu tempo, sendo um dos primeiros caças soviéticos a ultrapassar a barreira do som. E não foi o único.


Su-27 sobrevoando rio Amur Foto: Assessoria de imprensa da fábrica de Komsomolsk-no-Amur

O gabinete de Sukhoi produziu vários modelos admiráveis: o Su-17 – o melhor dos caças da terceira geração; o Su-27 – o primeiro aparelho da quarta geração; os Su-27CK, Su-30Mk, Su-33 e Su-35, entre tantos outros.

Desde 2010, os especialistas da empresa vêm trabalhando em um novo projeto de tecnologia avançada – o protótipo de um caça da quinta geração. O veículo, por enquanto conhecido como T-50, tem fortes possibilidades de vir a ser um sério concorrente do único avião existente dessa classe, o norte-americano F-22 Raptor.

 

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