Com seu primeiro aniversário recém completo, a Aliança do Pacífico, organização supranacional que une Peru, Colômbia, Chile e México, foi o centro de um evento na última quarta-feira (4) no Instituto Cervantes em Moscou, que contou com a presença dos embaixadores dos países membros na Rússia.

A nova estrutura prevê não apenas um acordo de livre comércio entre as quatro economias, mas também a integração regional, que deve levar à liberalização de circulação de pessoas, capitais e mercadorias.

Juan Eduardo Eguiguren Guzmán, embaixador do México na Rússia

De acordo com o embaixador de Colômbia na Rússia, Rafael Francisco Amador Campos, a aliança “consiste de um conjunto de países economicamente sólidos e estáveis que têm oportunidades para fazer negócios”.

O PIB (Produto Interno Bruto) da nova aliança ultrapassa US$ 2 trilhões, o que é aproximadamente 35% do total da produção da América Latina. Em 2012, esses quarto países atraíram quase US$ 70 bilhões de investimentos estrangeiros.

Esses dados macroeconômicos refletem o interesse dessas nações pela integração econômica completa, que permite diminuir os riscos financeiros.

A Aliança do Pacífico pretende realizar a integração econômica de acordo com os princípios econômicos da clássica escola neoliberal: livre comércio, defesa de capital, iniciativa privada e desregulamentação dos mercados. No entanto, tem alguns princípios inovadores, como a luta contra a evasão fiscal (princípio de transparência), elemento integrado também na agenda da atual presidência russa do G20. 

Canais de comunicação

Os participantes do encontro também destacaram a importância da Rússia como parceiro estratégico comercial e um dos principais motores do outro grande organismo no Pacífico:  a Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC, na sigla em inglês).

Gustavo Otero Zapata, embaixador do Peru na Rússia

De acordo com Ruben Beltran, embaixador do México na Rússia "existem canais de comunicação permanentes com a APEC e uma proposta de preparar acordos de cooperação entre essas instituições, que permitirão o trabalho em conjunto".

Integração regional

Durante os últimos dez anos muitas estruturas e organizações de integração econômica e política apareceram.

O Mercosul, composto por Venezuela, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Argentina e Brasil, foi o primeira de seu tipo no continente sul-americano. Os países da nova aliança, que não entraram no Mercosul, se juntaram pela necessidade da sua própria estrutura de integração econômica. A ideia de criação da Aliança do Pacífico pertence ao presidente do Peru, Alan García.

Juan Eduardo Eguiguren Guzmán, embaixador do Chile na Rússia

Todas as organizações políticas supranacionais (como a União das Nações Sul-Americanas) tentem a adotar uma política comum que corresponderia a atual União Europeia e tem o apoio da maior parte dos países sul-americanos.

"A Aliança do Pacífico não nasceu com a ideia de enfrentar qualquer outra organização na região”, disse Campos.

Segundo o embaixador do Chile na Rússia, Juan Eduardo Eguiguren Guzmán, “o objetivo principal é a liberação de circulação de pessoas, serviços e capitais entre os países-membros da aliança”.